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A Formação do Candomblé no Brasil

By Babá Sérgio Fevereiro 08, 2019 185 0

Candomblé é uma religião que teve sua origem numa reunião de cultos africanos, aqui no Brasil, que, por sua vez tiveram sua origem na Cidade de Ile Ifé ( atual Nigéria), na África, e foram trazidos para o Brasil pelos negros Yorubas e Bantos. Seus deuses são os Nkice, na Nação Angola Vodus, na nação Djeje e, na Nação Keto, os Orixás dos quais somente 16 são cultuados no nosso país: Exu, Ogum, Oxossì, Osanyin, Obalúaye, Oxumare, Nanã Buruku, Xango, Oya, Oba, Ewa, Oxun, Yemanjá, Logun Ede, Oxaguiam e Oxalufam. Ùltimamente temos visto o resgate de outros como Otin e outros mais no Continente africano.

Aqui deixo uma ressalva para o número exato: em algumas casas podem ser cultuadas 17 e até 18 divindades.

Primeiro chegaram os Bantos, esses chegaram no período da economia da cana de açúcar, esse fator fizeram com que adentrassem mata a dentro, trabalhando cerca de 16 e até 18 horas por dia com isso prejudicando a disseminação de sua cultura.

No período da economia da mineração chegaram os primeiros Nagô trazendo consigo cerca de 42 povos que tinham em comum entre si a Língua Yoruba, que deram origem a Nação Ketu, esses foram mais beneficiados, pelo período ser de uma economia que lhes propiciava um serviço urbano, dentro das casas dos seus senhores, isso fazia com que eles tivessem uma integração social melhor que as do Banto, com isso também trocando melhores informações entre si e as que chegavam da Mãe África.

Por último chegaram o povo Ewe -Fon que trouxeram sua crença ligada ao culto dos Vodun, foram trazidos do antigo Daomé, atual República do Benin. Como esses povos ( Os Nago e os Fon ) na África eram inimigos, quando os Fon desembarcaram em terras brasileiras receberam o apelido de Djeje, designação que significa ¨inimigos a vista¨ ou ¨forasteiros¨.

Podemos afirmar que o nascimento do Candomblé se dá quando aparece em nossa história uma negra liberta chamada Dana-Dana, da qual eu não consegui muitos registros.

Vamos ao relato deste episódio:

A partir de 1750 é trazido para o Brasil o Povo Fon.

A Igreja Católica, na época, proibia a entrada de negros nas igrejas, sendo assim, foram criadas, para eles, algumas igrejas.

Por volta de 1780 ou 1790, a negra liberta Dana-Dana leva seu igba orixá para dentro da Igreja de Nosso Senhor do Martírio, no Pelourinho. Ali começam os cultos afros na tentativa de recriar a liberdade, ali eles podiam falar suas línguas, falar de suas divindades, sonhar com a sua Ilu Aiye ( terra saudosa, terra que dá vida, a África, como eles chamavam). Com o tempo os Nago passaram a ser um grupo cada vez maior neste culto e os Fon foram perdendo espaço.

Já em 1830, 40 ou 50 anos depois deste ocorrido, vai haver fatos que mudaram toda história:

O Primeiro deles:

Como era de costume, na África, os negros se dividiam em grupos de homens e mulheres, os homens faziam parte da Irmandade Nosso Senhor do Martírio e as mulheres da Irmandade Nossa Senhora da Boa Morte.

Havia uma terra de um antigo engenho que, havia sido explorada durante todo o período da economia canavieira, uma terra cansada e improdutível, além desse fator havia um rio que a cortava e quando chovia tornava o ir e vim totalmente impossível, esses dois fatores a fez se tornar muito barata e por volta de 1830, negras de várias tribos se reuniram na Ladeira do Berco com a intenção de perpetuar os Cultos africanos, uma vez que as cidades de Ketu e Oyó haviam sido invadidas e havia o risco de seus cultos, o de Oxosse (cidade de ketu ) e o de Xangô ( cidade de Oyó ) serem dizimados.

Essa confraria feminina de negras compram essas terras e tentam recriar a sua Ilu Aiye ( África ), então ali é construído o Ile Xangô ( casa de Xangô ) que representava a Cidade de Oyó, capital do Povo Yorubá, em volta a essa casa construíram a Ile Ogun ( representando a cidade de Irê, a Ile Oxum ( representando o atual Estado de ijexá ), e assim por diante. Ali eles podiam falar sua língua, falar sobre seus mitos, suas lendas, cultuar suas divindades..., ali eles podiam ter de volta a sua, tão sonhada, liberdade perdida.

Segundo fator:

Neste mesmo ano havia sido devastada as Cidades de ketu e Oyó, O líder religiosos da Cidade de ketu, Bomboxé Obitiká, já se encontrava refugiado na Cidade de Oyó. Yia Nasso Okà o traz ele e mais cerca de outras 120 pessoas, para que trouxesse e perpetuasse o Culto a Oxosse e a Xangô aqui no Brasil.

Acontece que nesta confraria não existia somente o povo de Ketu, o Povo ketu emprestou seu nome a Nação por ser a maioria, mas havia também os povos de outras Regiões e outras divindades, sendo assim numa mesma casa começou a ser louvadas divindades de muitas outras regiões, inclusive as advindas do Daomé, Omulu, Obaluaye e Nana, lembremos aqui que no princípio deste artigo em afirmei que, em outrora, esses dois povos eram inimigos.

Mais do que isso foi a subdivisão nas crenças regionais:

Um povo que veio da região de Ijexá, por exemplo, louvava a divindade do Rio Oshun de várias maneiras diferentes, assim também ocorreu com outros povos que louvavam uma mesma divindade, também de várias maneiras. (...) Aqui, em solo brasileiro, todas as crenças tiveram que ser respeitada nascendo assim o que hoje chamamos de ¨caminhos¨ ou ¨qualidades¨.

O Candomblé de Hoje:

Muito se tem falado sobre novas qualidades, novos caminhos para orixá devido a constante tentativa de resgate na África, o que eu, Babá Sérgio de Ajunsun, considero como um total desperdício de tempo e porque?

  1. Os povos trazidos entre 1549 a 1888 tinham uma crença pura, naquela época eles ainda não haviam sido influenciados por outras culturas como a cristã, muçulmana etc.
  2. Toda religião tem um ponto que podemos chamar como marco, a exemplo disso posso estar trazendo o Budismo, que teve sua origem com na filosofia de seu fundador, Siddhartha Gautama, podemos trazer o exemplo do cristianismo, quando um Judeu, chamado Messias, funda o cristianismo, também podemos estar falando de Mishná, também conhecida como Mixná ou Mixna ( judaísmo rabínico ) , primeiro livro judáico que faz nascer o judaísmo muito antes do alcorão.

Então porque não reconhecermos somente as divindades, que, digamos de passagem, já são muitas, para nossa religião, cito aquelas que foram o pilar para a crença do Candomblé.

As autoridades brasileiras negligenciam a nossa Cultura no tocante a história do negro no Brasil, porém, nas últimas décadas, pesquisadores vem ganhando espaço para contar nossa história: ¨quem somos, de onde viemos e como se formou o que hoje chamamos de Candomblé¨.

Posso afirmar que, basicamente, este estudo começou com o escritor NINA RODRIGUES no fim do século XIX, o segundo escritor que deu continuidade a esta pesquisa foi Arthur Ramos no início do Século XX. Esses dois escritores foram a base para que os dois grandes sociólogos Gilberto Freyre e Caio Prado que fizeram grandes trabalhos para explicar o cruzamento da raça brasileira. Um dos melhores ou o melhor livro que posso indicar a você, meu leitor, é o livro de Freyre, Gilberto - Casa Grande e Senzala.

Rio de Janeiro, Belford Roxo, 17/03/2012

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